Educação

GERIR PESSOAS TAMBÉM É LIDAR COM EMOÇÕES

Como administrar os colaboradores e seus sentimentos pessoais sem desequilibrar nem a empresa e nem as pessoas.

Por mais que o profissional ofereça urna entrega diferenciada à organização e consequentemente tenha um desempenho acima do esperado, ele nunca conseguirá desvincular-se completamente de suas emooões. Mesmo aqueles individuos que se mostram mais “ásperos” a determinados assuntos que pedem um pouco de sensibilidade já demonstram uma emoção, mesmo que seja negativa. Ou seja, não dá para separar o ser humano do emocional, pois o homem não é uma máquina programada para atuar a médio ou a pleno “vapor”.

Imagine essa constatação no setor funerário, onde o objeto do trabalho, a rotina do dia-a-dia são as pessoas e suas emoções mais primitivas? As organizações passaram a ter uma visão diferenciada e holística dos seus colaboradores, pois em determinado momento, alguém apresentará sinais de que necessita de ajuda. E quando esse profissional exerce uma função estratégica na empresa a atenção precisa ser redobrada, uma vez que o desempenho de todo o time pode ser comprometido. Neste momento, o profissional de Recursos Humanos precisa estar preparado não para dar suporte psicológico ou psicoterapêufico, mas sim ter a sensibilidade o a competência para identificar quando e qual trabalhador precisa receber ajuda.

De acordo com os especialistas, o profissional de RH deve estar sempre atento às manifestações emocionais presentes no ambiente de trabalho ou ao retomo de um profissional que vivenciou algum tipo de perda ou adoecimento. “Pois, a partir da experiência da dor vivida por aquela pessoa alguma coisa mudou em sua vida e isso deve ser considerado. Esse é um agente complicador para o processo de trabalho quando não escutamos e validamos a dor que um colaborador expressa”, ponderam. Erika Pallohno, psicóloga que atua no departamento de Psico Oncologia do Grupo C01, profissional que vive constantemente com pessoas que sofrem desgastes emocionais a partir de perdas o de doenças, enfatize, ainda, de que forma prática a área de Recursos Humanos pode dar suporte as emoções de quem dá vida às organizações. Esse é um momento para você parar e refletir como a empresa em que você atua lida com o emocional dos talentos. Ela falou à repórter Patricia Bispo. do RH.com.br e nós reproduzimos a entrevista.

1- POR EME O RH É TÃO VALIOSO PARA C EMOCIONAL II AS EMPRESAS?

Erika Pallottino – É muito da funçào do RH lidar com aquilo que é humano no ambiente corporativo. A visão de que o ser humano é atravessado por seus conflitos e questões emocionais, é muito importante. Nossos colaboradores são. acima e antes de tudo, pessoas com uma biografia. onde carregam perdas, lutos, dores e conflitos. Na0 podemos deixar de considerar essas questões.

2 – A QUEM CABE D PAPEL DE FAZER-SE PRESENTE NAS MAIS DIVERSAS FASES DE INSTABILIDADE EMOCIONAL DE UM PROFISSIONAL?

EP – É Importante pontuar que nao é (unção do RH dar suporte psicológico ou psicoterapèutico, mas identificar quando e qual trabalhador precisa de ajuda. É importante que o profissional de RH esteja atento ás manifestações emocionais no ambiente de trabalho ou ao retomo de um profissional que mandou algum tipo de perda ou adoecimento. A partir da experiência da dor vivida por aquela pessoa alguma coisa mudou em sua vida e isso deve ser considerado. E um agente complicador para o processo do trabalho quando não escutamos e validamos a dor que um colaborador expressa. Ao mesmo tempo, é algo muito delicado em virtude do temor que muitos trabalhadores sentem, por acreditarem que ao se expor poderão parecer frágeis ou vulneráveis.

3 – COMO UM RH PODE APROXIMAR-SE E CONQUISTAR

A CONFIANÇA DE UNA PESSOA QUE ENFRENTA UMA FASE PESSOAL DELICADA E QUE COMPROMETE A SUA PERFORMANCE PROFISSIONAL?

EP – Momentos delicados deixam as pessoas frágeis e vulneráveis, mas também, muito vigilantes e ameaçadas. Dessa forma, elas percebem quando a aproximação é ou não genuína. com o intuito de lhe ajudar ou voltá-la a enquadrá-la no sistema. Portanto, delicadeza e sensibilidade são fundamentais. A aproximação o a confiança não devem acontecer pontualmente, para ‘apagar o incêndio” ou resolver uma ação e só, mas se estabelece através de um trabalho de continuidade. pela disponibilidade e aproximação cotidiana do trabalhador

4 – UMA EMPRESA QUE ACOLHE EMOCIONALMENTE SEU PROFISSIONAL PODE TORNAR-SE UNA ‘SEGUNDA FAMILIA’?

EP – Essa á mais urna questão delicada e polémica. Trabalho é trabalho. familia e laços de amizade são coisas diferentes. É complicado quando tudo se mistura e não existe urna separação o um entendimento sobre os lugares e os espaços para lidar com as emoções. Uma empresa é um lugar onde vocé trabalha, mas que também vai ter afinidade com algumas pessoas e poderá elegê-las para participar de sua vida pessoal. Mas o trabalho não deve ser uma extensão da rede familiar. Corre-se o risco de posturas pessoais atravessarem os processos laborais. criando oesconforto e dificultando as relações. A empresa pode e deve ser disponivel, atenciosa e cuidadora, mas delimitando qual o seu papel e o seu lugar para a vida do seu trabalhador. A neutralidade é protetora. 5 – UNA ORGANIZAÇÃO QUE DÁ SUPORTE ÀS ENTOES DO PROFISSIONAL CONQUISTA O COMPROMETIMENTO DESTE TALENTO? EP – Sem dúvida alguma. Essa empresa, quando valida as emoções e abre espaço para a escuta das questões de seu funcionário, passa a seguinte mensagem: “Eu me importo com voar. O bem-estar e o conforto psíquico estimulam a criação. a produção, o cumprimento de prazos e melas. assim como a angústia, o estresse, o desestimulo empobrecem o nosso sistema cognitivo, dificultando a realização das tarefas.

– EM SUA OPINIÃO, AS EMPRESAS ESTÃO TENDO MAIS DIFICULDADE EM CRIAR ¡Aços EMOCIONAIS COM SEUS PROFISSIONAIS? EP – Não, pelo contrário. Percebo que cada vez mais estamos podendo discutir questões como essa. Essa entrevista é um pouco isso. Cada vez mais falamos da importância dos laços emocionais, da criação d. vincules, do lugar emocional do trabalhador, da morte do luto nas empresas.

7 – ENTÃO. EXISTE UMA TENDÊNCIA NO MERCADO ?VA QUE AS OREANIZACIiES DEEN CADA VEZ MAII APOIO EMOCIONAL AOS SEUS TALENTOS? EP – Sim. É praticamente impossível que um trabalho df RH não considere hoje essas questões emocionais Esse foi um grande avanço na forma de gerir pessoas talentos.

8 – A COMPETITIVIDADE EXCESSIVA SERIA UM FATOR INIBIDOR. PARA QUE AS PESSOAS SOLTEM SUAS MIMES NO AMBIENTE DE TRABALHO?

EP – Sim, muitas pessoas tém receio do que é falar ou expor emoções. sentem-se expostas e, às vezes, podem se sentir perseguidas. Um trabalho que vise a expressão emocional tem que ser muito bem pensado, estrategicamente estudado. É um grande risco realizar esses trabalhos, por isso o cuidado e o zelo na avaliação. na preparação e no entendimento da demanda da corporação, Há muita competição no merCado, as ificuldades de relações interpessoais são um ponto xmum, por isso em situações assim existe urna ~esfera emocional de defesa.

9 – HÁ PESSOAS QUE MANTÊM UM RELACIONAMENTO TÃO FORTE COM O TRABALHO QUE SE TORNAM UM WORKAHOLIC. QUANDO ISSO É  PERCEBIDO PELO RH, COMO SE DEVE TRABALHAR A RELAÇÃO EMPRESA-FUNCIONÁRIO?

EP – Para esse tipo de pessoa, trabalhar é parte da sua identidade, trabalhar é quem ela é. Sem o trabalho é como se a pessoa perdesse as suas referências e a sustentação psíquica. Existem casos bem sérios e um trabalho nesse sentido é muito importante, principalmente em situações que envolvam adoecimento, aposentadoria e desligamento. Algumas pessoas podem não suportar a ausência do trabalho. A promoção de espaços como workshops, dinâmicas vivenciais onde se trabalha o que está na vida da pessoa, além do trabalho, o que somos apensar do lugar que ocupamos em nossas atividades laborais, faz o trabalhador pensar sobre sua vida e suas escolhas. Como disse, somos mais do que o nosso trabalho e pensar assim é abrir espaço para a saúde emocional. Saúde emocional é uma premissa básica para o sucesso profissional. O bumout está aí para nos mostrar o que a fadiga e a exaustão emocional podem causar aos trabalhadores.

Patrícia Bispo, Maio 2017

Fonte: rh.com.br